
Hoje quando acordei, vi a luz entrar pela fresta da janela. E pela primeira vez em muito tempo, me senti acordada de verdade.
Eu sorri antes mesmo de levantar, não porque o mundo parece perfeito - longe disso, mas sim porque tudo parece diferente. Até meus pesadelos já não são os mesmos, nem meus desesperos são tão insuportáveis. E aquelas velhas dores? Já não passam de marcas e cicatrizes de tudo que já passei.
Hoje quando acordei senti um sabor doce e estranho de saudade, e ao mesmo tempo percebi que assim deveria ser. Nunca foi uma questão de acostumar ou aceitar as perdas, e sim de entender que algumas pessoas se foram para muito além porque era chegada a hora, isso não faz delas menos importantes ou menos amadas, faz delas as memórias que jamais quero esquecer.
Outras pessoas no entanto não estão mais ao meu lado, estão por aí: pois precisaram se expor, provar. As máscaras não poderiam durar para sempre, afinal peças teatrais não podem ser muito longas. Sendo assim, dessas pessoas nem sei mais, e nem falta me faz, o que importa é que um dia eu acreditei.
Velhos amores ficaram no tempo, alguns esquecidos de forma triste, outros guardados em forma de aprendizado, embora tenham sido vividos com mesma intensidade.
Meus melhores momentos marcaram não só datas e lugares, marcaram a mim. Fazendo do meu jardim de lembranças o mais florido, e perfumado que eu poderia ter.
Hoje o mundo pareceu mais amigável, não porque as circunstâncias mudaram, mas porque eu finalmente estou aprendendo a lidar com tudo que não cabe a mim controlar.
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Escrito em 02 de Novembro de 2010.
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