sábado, 2 de outubro de 2010

O sol se foi

O frio voltou. E eu te odeio por todas as lágrimas que deixei escapar por sua causa, eu te odeio por todas as vezes que você me cativou e me fez rir. Eu te odeio por todos os sonhos que me fez ter: Correr na chuva, deitar na grama num fim de tarde e olhar o céu, fugir para Los Angeles conhecer um certo alguém, ou simplesmente reconhecer como tantas vezes você disse…

Eu te odeio por saber o quanto sua opinião sempre importava, eu te odeio por saber que eu te esperava á todo fim de tarde pronta pra relatar tudo, exatamente como uma garota e seu diário, mas no meu caso as páginas tinham vida própria e adicionavam comentários automaticamente, nem sempre bons, mas que eu lia atentamente.

Eu te odeio por todas as vezes que prometemos nunca nos abandonar, e por todas que juramos não quebrar essa promessa. Mal sabíamos que promessas são feitas para serem quebradas, mal sabíamos que todo caminho tem estradas tortuosas e esburacadas. Ou, sabíamos bem demais, suficiente para estar nesse ponto agora.

Eu te odeio por nunca ter me alertado, pelo contrário você gostava que eu confiasse, que eu me dedicasse á você. Você nunca me disse pra ter cuidado nisso, você sempre foi um perigo não é? Você admitia não possuir sentimentos, nem coração. E eu que tentava sempre provar o contrário, eu que acreditava na pedra que pulsava em seu peito.

Te odeio por todas as coisas que você omitiu, te odeio por todas as vezes que me consolou, te odeio pelo que você escreveu, te odeio por todas as coisas lindas que me disse, por todas as vezes que me inspirou e que buscou inspiração em mim.

Te odeio por me fazer acreditar nas pessoas, quando nem mesmo você acreditava não é?

Eu te odeio por todas as vezes que falei empolgada de você, jurando que sempre seria aquecida, por um sol inquieto e tagarela. Te odeio por ter me alimentado tantos sonhos, tantos sentimentos, tantas idéias, tantos planos e tantas histórias, enquanto você não pretendia fazer o mesmo.

Você sempre esteve á espera de mudanças, á espreita de um novo rumo, e eu apareci na sua vida e me tornei seu brinquedo. Seu passatempo predileto, enquanto você não tinha nada, ninguém.

Eu era uma coisa despedaçada e caída no chão que não sabia mais caminhar, você me colocou em pé, me fez dar alguns passos, mas logo cansou e me deixou cair. Afinal, você tinha pressa, já tinha aprendido a correr, e tinha novas pessoas á sua espera.

Um dia você vai se perguntar porque as coisas mudaram tanto, vai se perguntar porque eu me fui. E no fundo você vai lembrar que eu ficava lá sempre esperando pela sua brecha de tempo, esperando a resposta de seu email, ou esperando que de algum modo um enigma surgisse. Bem no fundo você vai se lembrar como você me acolhia e protegia, e vai perceber que você já não sabe mais como fazer, vai perceber que suas palavras mudaram, que suas preferências mudaram, e que você mudou. Muito.

Vai finalmente entender que na verdade foi você quem se foi, andou por novas ruas e correu para um lugar cada vez mais distante, até que eu fiquei para trás. Decidida a não correr, decidida a seguir para o outro lado, andando conforme meu próprio tempo.

Te odeio, por agora você ganhar um novo texto, só seu. Te odeio, por ainda me importar com você.

Te odeio tanto por "ainda" não conseguir te odiar no fim do dia.