
Ouvi leves batidas, busquei de onde vinham e as descobri dentro de mim: em meu peito. Eu as reconheci logo que as enfrentei, eram a nostalgia e a saudade, e eu não queria abrir a porta para elas. Elas não eram bem vindas, pois até onde sei elas são acostumadas a ferir as pessoas, fazer sofrer. Mas me deparei com a velocidade e intensidade das batidas e percebi que elas não queriam entrar, elas já estavam em mim, elas na verdade estavam desesperadas para sair. Tentavam escapar por meus olhos, escorregando pelo meu rosto, ardendo em minha alma. Mas eu as segurei. E enquanto eu pudesse suportar os ecos tremendo-me por dentro, dando um nó em minha garganta e sufocando minha respiração, eu as manteria presas. Trancadas á sete chaves no pequeno espaço de mim que deseja voltar no tempo. Naquele tempo.
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