sábado, 23 de abril de 2011

Quase meio

Sou feita de partes inteiras, e metades;

Sangue quente e lentidão.

Sou feita de dores e saudades;

Sou caminho sem direção...

Sou memórias e pessoas, abandonos e abraços;

Sou amores, amigos, encantamentos, e laços.

Sou as palavras perdidas que insisto em encontrar;

Sou o medo de sentir medo, e a mania de acreditar.

Sou um início e quase meio, ainda sem fim.


sexta-feira, 25 de março de 2011

Pedaços de tempo

Há dias em que a espera pelo amanhã parece uma eternidade, há dias em que o relógio acelera fazendo dos ponteiros seu brinquedo predileto, e há dias em que eu simplesmente gostaria de parar no tempo. Gostaria de reviver algumas lembranças, abraçar e amar um pouco mais, tudo aquilo que ficou no passado.

Mas, não existe um dia sequer em que eu possa realizar esse desejo… E eu sei que isso faz parte das escolhas que fazemos, isso é viver. E o viver ensina que acima de tudo a vida segue em frente, na maioria das vezes atropelando tudo que se sente... E mesmo que sem rumo, mesmo que perdida por rotas fora no mapa, é preciso lutar por dias melhores. É preciso buscar forças para colocar o brilho nos olhos de alguém que se ama. Pois, talvez amanhã esse alguém seja seu maior motivo para desejar voltar no tempo.


quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Querido colégio,

Me desculpe por ter te evitado tantas vezes, me desculpe por todas aquelas vezes que eu declarei aos quatro ventos que te odiava.

Eu só não via claramente o quanto sentiria sua falta um dia... E hoje, eu vejo.

Você foi minha melhor fase, a fase em que eu vivi o melhor de mim, eu mal conhecia a realidade da vida, meu medo era das minhas notas, e dos meus amores complicados que eu complicava...

Quando penso em você, me lembro de coisas boas que me roubam sorrisos, lembro do que vivi em cada sala que estive, cada amigo - e cada "não-amigo" - que fiz acidentalmente, ou não. Lembro de todas aquelas risadas, conversas, e gritos de professores irritados e brincalhões.

Lembro daquela carteira que eu costumava me sentar, e de todos aqueles amigos que se sentavam nas carteiras ao meu redor, na verdade eu me lembro da turma inteira, cada um com um significado pra mim. Também lembro dos professores, das outras turmas, das outras bagunças, daquelas encrencas, daquelas fofocas, das provocações, das brincadeiras, e até que me lembro bem de ficar nervosa antes de cada prova, mas, lembro principalmente de todos os momentos em que eu sorri sem medo.

Você me ensinou muita coisa, não que eu me lembre de todos os livros, e matérias que estudei, mas eu me lembro de todos aqueles bilhetinhos e bolinhas de papel, das folhas rasgadas e das fotos tiradas… Lembro dos sussurros, dos beliscões, das aulas de Educação Física, das Feiras de Ciências, das peças teatrais, dos filmes e passeios.

Também lembro de todas as vezes que fiz birra pra não sair da cama e tentei arranjar desculpas só pra não ir até você, e peço desculpas. Se eu soubesse o quanto sentiria sua falta, eu teria te valorizado mais, e te encarado de uma forma mais sutil, teria me obrigado a nunca permitir minha ausência na folha de chamada, porque um dia você me deixaria, assim como eu te deixei.

Hoje quando vejo adolescentes usando seu nome naquele uniforme que um dia eu também usei, o uniforme que era carinhosamente chamado de pijama, eu sinto vontade de adormecer. Porque eu queria sonhar usando aquele pijama de novo, sonhar reviver tudo aquilo que de alguma maneira ficou gravado em você.

Espero que você ainda me encontre nesse amontoado de lembranças que se acumula a cada dia em suas paredes... Porque, as suas lembranças eu vou encontrar sempre comigo.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Velhos amigos


Sabe quando você tem um amigo que te entende e vocês passam horas conversando sem perceber o tempo passar? Sabe aquele amigo que te faz imaginar seus sonhos e acreditar neles? Sabe como é precisar desse amigo pra se sentir bem? Sabe o que é se apegar á alguém acreditando em tudo que ela disser?

Eu sei.

Sabe quando esse amigo arranja novos amigos e acaba sendo influenciável e mudando com você? Sabe quando esse amigo começa a ser insensível com você? Sabe quando toda a ligação que vocês costumavam ter acaba? Vocês se tornam estranhos, e não se falam mais.

É tão triste.

Sabe quando você fala com ele e fica tentando ser como era, e fica tentando consertar a si mesma, sozinha? Sabe quando você se culpa por ter dito que ele não era mais aquele amigo que costumava ser?

Eu sei.

Pior ainda é quando você sabe que você ainda é aquela velha amiga esperando que ele volte. Choramingando sem ter com quem falar porque não consegue falar com mais ninguém, porque ninguém te ouviria da mesma maneira, você fica falando com outras pessoas tentando esquecer que um dia alguém te entendeu tão bem, que alguém soube te acalentar sem mesmo você dizer.

É triste.

Sabe quando você fica abrindo e fechando aquela janela de contatos sem o ver online por lá? E mesmo se estiver você desanima porque ele não fala com você, você chora porque não vai procurar por ele, você sofre pela falta que ele faz, e se deprime porque você precisa imaginar aquelas velhas coisas que ele te dizia pra se sentir melhor.

Eu sei.

E no fundo você sabe, que era tudo um teste, na primeira oportunidade que surgiu ele mudou, te abandonou aos poucos, e quando você precisou ele não estava mais lá, e agora ele foi reprovado. As promessas dele não eram boas o suficiente para serem prometidas, elas eram fracas, e foram quebradas.

Ele se foi, era tudo uma grandiosa mentira sem maldade, toda aquela luz se apagou, e aqui estou eu machucada de novo, exatamente como quando viramos amigos.

Sinto que está na hora de abrir novos espaços em meu peito apagar tudo aquilo que já não me faz bem, mesmo as melhores amizades podem machucar, não é? Eu sei, todas aquelas risadas, conversas, histórias, pirações e sonhos se tornaram tão tristes, é tão deprimente lembrar.

E eu realmente sinto muito, por mim, por ele, por nossa antiga amizade. Mas, essa é a última vez que me permito sentir a falta de alguém que não sente a minha falta, que não manifesta nada, absolutamente nada do que um dia fomos.

Ele esqueceu, e agora, eu vou esquecer...

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Inocência

Andando pelo meu quarto eu encontrei minhas velhas pegadas, o chão por onde andei, muito do que já passei. Revendo meus próprios passos reencontrei memórias, sorrisos, e pessoas. Nada que realmente estivesse ali para ser mudado, tudo que me abandonara, tudo que eu abandonei e que ao mesmo tempo nunca havia saído de mim. Todos aqueles amores sem fim que terminaram, todas aquelas amizades eternas que nunca foram adiante, e todas aquelas lembranças que me roubam o fôlego e aquelas me arrancaram muitas lágrimas no escuro - as vezes ainda choro por elas. E se eu pudesse voltar no tempo? Me perguntei. Talvez eu não tivesse tido as mesmas atitudes, talvez eu não amasse tanto, talvez eu não acreditasse tanto, talvez eu não fosse tão eu.

Decepção machuca, muito, mas a incerteza de como poderia ter sido - hoje - provavelmente iria me ferir ainda mais. Se eu tivesse tido a chance... Sim, concerteza eu cometeria todas as mesmas loucuras, escolheria as mesmas palavras, me jogaria no precipício chamado amor - mesmo sendo suícidio. Em todo tempo de que me lembro eu fui sincera, eu senti e foi real pra mim. Tenham sido quaisquer os meus erros, eles foram a coisa mais verdadeira que meu coração sentiu, e se magoei alguém foi na inocência de acreditar demais, de esperar demais por admirar demais. Mas, eu também acreditava em mim, eu acreditava em cada promessa presa em meu peito, mesmo que elas não fossem minhas e fossem tão independentes de mim. E sabe?! Acho que sempre vou acreditar, mesmo que haja a possibilidade de o amanhã nunca chegar.


segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A morte

Eu tenho um medo enorme daquela senhora que sempre leva todos embora… Medo do que ela faz sentir, medo do que ela faz perder e acontecer… Sei que a visita dela é certa em toda casa, em toda a vida. Mas me sufoca saber que é uma visita inesperada, a qualquer momento, em qualquer lugar, qualquer idade, e qualquer coisa por viver ou dizer. Em todas as vezes que cruzei com ela, estremeci, e tive pesadelos eternos… Portanto sei que morrerei de medo quando aquela velha senhora de preto bater na sua porta, porque ao mesmo tempo ela estará batendo na minha. Sussurrando nosso fim ao destino que narra nossa história lentamente. Seu coração me pertence, e se um dia ele se calar, irei implorar pelo meu silêncio, irei implorar por qualquer cantinho em seu coração, como sempre faço. Sou sua desde que abri os olhos neste mundo, não fui e não serei ninguém sem você. Eu te amo, e amo o suficiente para enfrentar qualquer um, até mesmo a fria senhora de preto que coleciona histórias sem fim.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

2010

Fiquei encarando o nada, sentindo o tempo que passou, o que foi uma atitude muito clichê. Mas, independente disso mais um ano chega ao fim. E pensando sobre isso, meus olhos foram inundando-se lentamente até transbordarem, e eu não estava lamentando nada, eu sentia orgulho.

Orgulho porque eu sobrevivi mais um ano. Um ano a mais de alegrias e tristezas para adicionar á meu histórico de vida. Mais um ano entre meus 20 anos, mas esse passou inconstante, acelerado feito as horas boas ao lado de alguém que fazia falta, ou arrastado como quando a saudade era minha companhia.

Posso dizer que esse ano eu aprendi, e muito. Aprendi a lidar com coisas que não cabem a mim controlar, aprendi a ver o lado bom das coisas ruins, aprendi a acertar nas escolhas erradas, aprendi que chorar não cura feridas por maiores que elas sejam e por mais que possam doer. Aprendi que o famoso "para sempre" na verdade existe, e costumamos chama-lo de agora. Aprendi que eu posso amar muito, e me sentir realizada com isso, mesmo que não expresse esse amor. Aprendi que ainda existem bons corações em meio ao pó de um passado sujo, mas isso não significa que eles ainda estejam batendo pra mim. Aprendi que posso superar muito mais coisas do que eu poderia imaginar. Aprendi que virar certas páginas não basta, ainda faz parte da história. Aprendi que rasgar livros inteiros não é solução, basta fechar o livro e esquecer em uma estante qualquer. Aprendi que eu posso me cuidar…

Eu dei o melhor de mim, hoje e sempre. E embora as músicas tristes e melancólicas tenham se tornado minha trilha sonora, eu me sinto feliz. Feliz por todos os caminhos errados e tortuosos que fizeram de mim uma pessoa mais forte. Feliz por toda a falsidade ser obrigada a aparecer, evidenciando quem é de verdade. Feliz por sempre existir a possibilidade de um amanhã melhor. Feliz por todas as coisas absurdas e lindas que escrevi, embora ninguém jamais vá ler. Feliz por meu coração remendado ainda bater forte no fim de cada dia.

Acima de tudo que eu possa dizer ou escrever, o que resta é agradecimento, e eu agradeço a Deus por ainda haver vida em mim. Agradeço a cada pessoa que interferiu na minha vida, me derrubando em lágrimas ou me fazendo feliz, por motivos bons ou ruins elas farão parte das minhas lembranças, e com certeza me ensinaram alguma coisa mesmo que mínima.

Agradeço por alguém fazer o brilho perdido retornar aos meus olhos de vez enquando.

E eu agradeço muito á mim mesma, por ainda acreditar em alguma coisa no fundo da minha alma. Acreditar o suficiente pra me fazer levantar da cama dia-após-dia por mais difícil que pudesse parecer...

Quem diria 2010? Tantas vezes imaginei que não sobreviveria de tanto chorar, outras tantas eu disse que morreria de tanto rir. E agora estou aqui, me despedindo. Foi um ano atribulado, intenso, e que agora caminha lentamente para os créditos finais, e logo dará lugar a um novo filme.

O filme de novas histórias chamado 2011 começará em alguns dias, e eu estou aqui, aprendendo a lidar com finais, aceitando que certas coisas se vão porque é chegada a hora… E que outras começam quando a gente menos espera, mas, neste caso, eu espero pacientemente que 2011 seja um ano novo cheio de coisas boas. Não só pra mim, mas para todo ser que habita esse planeta chamado Terra.